20 de setembro de 2020
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Paulo Rubem afirmou que está recorrendo de decisão no diretório nacional do PSOL e mantém sua pré-candidatura (Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados)

Partido que não disputa eleição, desaparece, diz Paulo Rubem

O ex-deputado federal Paulo Rubem Santiago (PSOL) foi entrevistado nesta terça-feira (4) na Rádio Clube 720 AM. Ele conversou com os jornalistas Rhaldney Santos e Fillipe Vilar, se colocando como pré-candidato do PSOL à Prefeitura do Recife. A direção estadual da legenda divulgou nota há duas semanas, reiterada hoje, afirmando que, em conjunto com a direção nacional do PSOL, deverá apoiar uma candidatura externa à sigla nas eleições de 2020.

Rubem afirma que a decisão o surpreendeu. “O partido que não disputa eleição, desaparece. Queremos que os filiados do PSOL decidam, numa convenção, qual o melhor caminho”, afirmou. “O diretório estadual do PSOL abriu inscrições em outubro de 2019 para pré-candidaturas próprias. Em seguida foram apresentados três nomes. Um deles, o companheiro Zé Gomes, retirou a sua pré-candidatura no dia 8 de novembro e passou a nos apoiar. Até o início da pandemia, nós tínhamos duas pré-candidaturas com atividades presenciais. Depois da pandemia, nos mantivemos nas redes sociais, com encontros virtuais, e nessa situação, de duas pré-candidaturas, a nossa e a do companheiro Severino Alves, presidente estadual do PSOL, a direção nacional elaborou uma resolução para que fossem realizadas prévias, como foi feito em São Paulo, com a participação de milhares de filiados”, continuou Paulo Rubem.

“Foi marcado para o dia 7 de julho para que o diretório decidisse pela realização das prévias ou não realizasse e o próprio diretório decidisse. Nós fomos para essa reunião e fomos surpreendidos porque houve uma retirada da pré-candidatura do companheiro Severino Alves e automaticamente uma mudança nas regras do jogo, vindo então para a pauta a proposta de apoio a uma candidatura externa ao PSOL, sem que o diretório tivesse decidido antes, sem ter consultado os filiados”, disse o pré-candidato.

Paulo Rubem afirma que está dialogando com legendas como o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a UP (Unidade Popular). Na UP, há a pré-candidatura de Thiago Santos. “Acreditamos que podemos liderar com esses partidos uma frente de esquerda nas eleições no primeiro turno, porque teremos aquele espaço essencial que é o debate com comunicadores, jornalistas, convite para os candidatos aparecerem em emissoras de rádio e televisão e isso é fundamental para um partido que tem o que dizer e apresentar”, afirmou.

Em suas propostas, Paulo Rubem ressaltou que, caso eleito, deverá cobrar à Compesa maior atenção às áreas mais pobres para acesso à água e saneamento. “Como resolver o problema da saúde, se desde 1983 a Compesa não regulariza o abastecimento d’água 24 horas por dia e sete dias da semana para quem não mora em bairros de classe média? Como a pessoa vai lavar as mãos, se a própria Compesa não estabelece uma política universal de acesso à água e ao saneamento?”, questionou. Ele afirma que um dos objetivos de uma possível gestão sua é a remunicipalização do serviço de água e saneamento.

O pré-candidato também afirmou que pretende recuperar creches e educação infantil na Prefeitura do Recife. “O Recife vai realizar sua eleição e são 35 anos de campanhas para prefeitos do Recife. Em 1985, a capital retomou a sua autonomia administrativa. Quando você olha para a porta de entrada do direito da educação não está mais nas mãos da gestão. A prioridade é recuperar o espaço da escola pública nas creches e na educação infantil”, disse.

Na segurança, Paulo Rubem disse que quer avaliar a atuação da Guarda Municipal e que, diferente de candidaturas à direita, não pretende armar os guardas. “Armar por armar não significa nada se você não sabe que tipo de ocorrência acontece na cidade. Há muito tempo se sabe que a insegurança e a violência estão relacionadas ao desemprego, ao abandono da escola. As mortes de jovens estão relacionadas ao abandono da escola. Em Fortaleza, 90% dos jovens que morreram até os 21 anos de idade, há 6 meses a 1 ano eles tinham abandonado a escola pública. Nós temos que ter uma política que leve infraestrutura, leve educação básica”, disse.

Veja a entrevista na íntegra

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