1 de abril de 2020
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Arte em Festa Recepções

Os blocos carnavalescos e a política

O carnaval é uma festa brasileira por excelência. Em nenhum lugar do planeta ele é mais festejado e reverenciado que no Brasil. “O maior show da terra” grita o apresentador eufórico constatando o óbvio.

Apesar de sua origem europeia controversa. Dos bacanais dos “carrus navalis” romanos em homenagem a Dionísio-Baco aos “carnis levale” ligado ao jejum cristão que antecede a quaresma, o fato é que, independentemente de sua origem, o povo brasileiro nos mais longínquos recônditos do pais saem às ruas para celebrar a alegria e a irreverência de forma espetacular. Somos o único país que para, literalmente, por vários dias para se dedicar a uma comemoração popular sem precedentes no mundo inteiro.

Dado ao fato de ser uma manifestação absolutamente representativa da essência popular, o seu caráter irreverente traz para os blocos carnavalescos, escolas de samba etc. os mais improváveis e difusos temas e temáticas sociais nas ruas e avenidas.

O espaço público é palco de manifestações das mais diversas, seja as piadas encenadas, as anedotas musicais, a ridicularização dos comportamentos, a revelação da hipocrisia da vida privada e, por último e mais proeminente, sobretudo nos últimos anos, a charge política, revelando a revolta popular e as críticas sociais.

Este ano, em especial, as escolas de samba de São Paulo e do Rio de Janeiro trouxeram análises e críticas que nos levaram a refletir sobre a conjuntura política e a fragilidade social de agora. Sem dúvida foi uma aula de cidadania e civilidade transformada em arte.

Todavia há um fenômeno que anda na contramão dessas manifestações que caracterizam os festejos carnavalescos em sua essência. Nas cidades, sobretudo as menores, como é o caso de Pedras de Fogo e Itambé (universo ao qual me atenho), há blocos que tem o objetivo único de exaltar personalidades políticas. Vereadores e prefeitos têm um bloco carnavalesco pra chamar de seu. Quem está no poder ou pretende ingressar nele tomam mão do carnaval para supostamente mostrar força e colocar blocos de exaltação a si próprio maiores e mais pomposos na avenida, numa franca concorrência injustificada e sem sentido.

Gosto do carnaval e, sem hipocrisia, não vejo problema em se colocar um bloco de autopromoção. Quem tem o seu próprio dinheiro faz dele o que quer. Vejo apenas com ressalvas as claras associações às disputas eleitorais. Mas cabe ao povo aceitar o engodo ou não.

Mas é preciso esclarecer que se ganha eleição nas urnas. É o voto do povo que concede o direito de exercer um mandato eletivo, não é bloco carnavalesco algum. O povo deve ignorar tal subterfúgio. Principalmente se, na condição de gestor, alguém usar de dinheiro público para tal manobra. Deixar de fazer ações de governo que beneficiam o povo para gastar o dinheiro do povo para se promover é algo inaceitável e revoltante.

Por isso é importante analisar os políticos e pretensos mandatários de forma correta: sua conduta, sua vida pregressa (seu passado), suas ideias e ideais, sua capacidade de gerir e suas propostas, e não o tamanho do bloco que ele idealizou para exalta o próprio nome.

E viva o Carnaval.

Por Adelson Santana de Oliveira*

*Adelson é ativista social, professor, bancário e escritor.

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