Uma das propostas da Fenearte, que realiza sua 19ª edição neste ano, é mostrar as diversas faces da produção artesanal do Brasil. Uma delas é a sustentabilidade – princípio que guia vários dos expositores da feira. Entre as obras, há utilitários, esculturas e artigos decorativos, todos feitos com material reciclado, como lacres de lata de alumínio e até ferro velho.
O recifense Paulo Duran é um dos artesãos que usa material reciclado como matéria prima: filho do dono de uma oficina de serralharia, notou o ferro velho que era acumulado e, há 18 anos, passou a criar esculturas a partir dele. “Olhei para o ferro e pensei que ele poderia se transformar em outra coisa ao invés de ir para o lixo. Peguei o maçarico, esquentei e comecei a moldar, criando a forma que eu queria”, explica.
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O artesão recifense Paulo Duran cria esculturas com materiais de ferro velho (Foto: Penélope Araújo/G1)
Nas obras, são utilizados materiais encontrados em ferros velhos, que são moldados para representar imagens como passistas, bailarinas e sambistas. “Minha inspiração é o próprio trabalho, uma coisa acaba levando a outra e vou criando as imagens a partir daí”, revela também o artesão.
Na Fenearte, Paulo vendeu quase todas as suas obras, inclusive as maiores. “As peças custam de R$ 50 a R$ 6 mil, e vendi até algumas maiores, para marchands e colecionadores de arte”, comemorou ainda.
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Artesã usa técnica de prensar lacres de latas para criar peças decorativas (Foto: Penélope Araújo/G1)
Quem também utiliza material reciclado para confeccionar suas peças é a artesã Maria do Carmo da Silva, também do Recife. Usando apenas lacres de latinhas de alumínio, ela cria objetos decorativos, como mandalas, quadros e vasos. “É tudo feito com lacres prensados e colados. Meu maior orgulho é dizer que fui eu mesma quem criou essa técnica”, detalha, explicando ainda que é a responsável por todas as etapas de produção das obras, desde limpar os lacres até criar os modelos e alinhar, colar e prensar os itens.
Para ela, os produtos, que custam entre R$ 30 e R$ 250, fazem sucesso pelo design diferente. “Tem gente que nem acredita que é reciclado, porque o resultado é bem diferente de outras obras feitas com o mesmo material. Para os vasos, uso cinco mil lacres, e o resultado é bem diferente de outras técnicas que também usam lacres”, aponta ainda Maria do Carmo.